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quarta-feira, 6 de junho de 2018

Salvador Sobral: Mano a mano

Me lembro do dia em que Salvador Sobral venceu na Eurovisão com muita claridade. Eu estava então em Breslávia, participando num curso de canto medieval com Julieta González. Era 13 de maio, o dia do Centenário das Aparições em Fátima, e os Católicos brincavam depois, que a vitória de Portugal em 100 anos foi um dos mistérios que a Nossa Senhora revelou aos pastorinhos :-D



Eu não senti vontade de assistir Eurovisão, mas os meus pais me ligaram para dizer que havia um cantor português extraordinário que deve ganhar. Então, liguei a TV e esperei até que ele cantasse "Amar pelos dois". A canção foi tão doce, tão linda… que decidi que ele vai ganhar com certeza e adormeci confortavelmente.

Este ano estava a participar no Congresso de Significação Musical em Cluj-Napoca, demasiado ocupada para assistir Eurovisão com absolutamente nenhum arrependimento: afinal, eu podia praticar a língua portuguesa e até cantar fado para os meus colegas (eles não reclamaram, que gentileza <3!). Só depois do meu retorno eu conheci essa nova música de Salvador. O cantor passou com sucesso por transplante de coração no ano passado; a letra parece transmitir a sua gratidão ao “irmão de tormento” que era o seu doador, a pessoa que literalmente deu-lhe o seu coração. A frase: „deixa láo teu piano / namorar a minha voz” pode referir-se a sua colaboração com o pianista, Julio Resende.

Mas a mensagem é muito mais profunda e muito mais universal; conta a história de pessoas que sofreram muito, mas ainda são capazes de compaixão, amor e amizade pelo outro. Salvador emprega melismas para acompanhar palavras particulares, como, por exemplo: “tormento” ou “aflição”. Ele também divide a melodia com pausas, cantando a frase "ficar sós", na forma de uma figura retórica chamada suspiratio ou tmesis.



Não pude não traduzir essa música para o meu idioma nativo, apesar de não refletir as sutilezas da versão portuguesa ... disfrutem!

Wypłakałem w Twoje ramię
Mego bólu gorzkie łzy
Teraz czuję, jak Twój smutek
Obezwładnia serce mi

Towarzyszu mej niedoli
Chociaż jesteś mi jak brat
Wciąż brakuje nam odwagi
By drugiemu rękę dać

Miłość nieraz nas zawodzi
Nikt nie musi przy nas być
Kiedy jeden traci wszystko
A ten drugi nie ma nic

Pozostaje złączyć dłonie
Dzieląc wspólnie jeden los
Niech melodia fortepianu
Z moim Twój połączy głos